Projeto Bullying

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Projeto: Eu não pratico Bullying                     
Autora: Professora Deoclides Pereira de Carvalho
Data: Maio de 2011

Justificativa
Os estudos sobre o bullying aqui no Brasil começaram na década de 2000. Em outros países os estudos começaram na década de 70. É um fenômeno mundial. O que antes era interpretado como brincadeiras  próprias da idade, hoje já se sabe que são atos repetitivos intencionais e que na maioria dos casos suas vítimas levam essas consequencias pelo resto de suas vidas. Preocupada com esta prática, e percebendo que em minha sala de aula de 3º ano do Ensino Fundamental de 9 anos, estava acontecendo a situação de bullying com uma criança que está acima do peso e ainda passa por problemas na família., resolvi escrever este projeto, para trabalhar especificamente ações que prejudicam o outro de forma intencional. 
A criança mencionada  estava demonstrando comportamento solitário,  em sala e no recreio,  e não tendo vontade mais de freqüentar a escola. Fizemos uma retrospectiva do nosso trabalho e não detectamos motivo que envolvesse relação professora X aluno . A mãe da criança, como conhece o nosso trabalho, nos procurou isoladamente para comunicar o fato. A direção foi informada  do que estava acontecendo e  por decisão própria resolvi trabalhar o bullying, por identificar após uma diagnose com a família. Será desenvolvido todos os dias durante um mês com atividades diferenciadas e após esse período o trabalho continuará sempre que for necessário.
Quando iniciamos o trabalho, percebemos que mais crianças estavam passando por outras situações de bullying, outras já haviam sido vítimas no passado.  Esse foi o gás que precisávamos para realizar o projeto com mais aprofundamento no tema. Nossas crianças precisam sentir alegria e prazer para ir à escola e ter a certeza que alguém se importa com elas e está preocupada com a situação que vivenciam.
Objetivos
Ø  Resgatar o prazer, destas crianças vítimas de bullying, de freqüentarem a escola;
Dar segurança aos alunos para não se sentirem desamparados dentro do ambiente escolar;
Ø  Extinguir ações violentas no contexto escolar.

Estratégias
1-    O conteúdo será estudado com vídeos e discussões sobre o assunto;
2-   Pequenas produções de textos;
3-   Construção de mini cartazes "Está proibido"
4-   Estudo de um texto e conversas sobre o tema; 
5-   Estudo de Literatura semanal sobre preconceitos;
6-   Produção de Mural

Aula 01
Incentivação
1-    Assistir aos vídeos sobre Bullyng –
a-    o martelo e a pedra - http://www.youtube.com/watch?v=_Lci-VFUcO4
b-   Você sabe o que é Bullyng? http://www.youtube.com/watch?v=aIjRTYa7UK0&playnext=1&list=PL4754F24E20D1BC1C
2-   Discutir os vídeos com as crianças e deixarem expressar-se sobre o que viram;
3-   Formular o conceito de Bullyng.
Bullyng

Como ocorre?
Com um conjunto de atitudes agressivas.
Tipos de agressões
Físicas: agressão ao corpo, batendo, empurrando, colocando o pé para o outro cair, beliscões, tapas na cabeça, murros, pontapés, etc.

Psicológicas: através de zoações com apelidos pejorativos, difamações, ameaças, perseguições, exclusões.

Características: atos agressivos, intencionais e repetitivos, que ocorrem sem motivação evidente em desigualdade de poder.

Onde pode acontecer?
Em qualquer ambiente onde haja interação de pessoas. E até mesmo  na internet, o ciberbullying.

Aula 02
Recortar as gravuras  e  colar na ordem no caderno, uma abaixo da outra e escrever o que você observa  em cada uma destas imagens.








Aula 03
Atividade 01
Cada criança deverá sugerir uma ação da qual não se deve fazer por ser característica de Bullyng. O professor lista no quadro.  Dentro das  placas de "Está proibido" (imagem abaixo) a criança deverá escrever a sua ação sugerida ao meio e mais 02 ações sugeridas por outro colega, ao lado, mas dentro da placa (daquelas listadas no quadro.  O professor deve guardar esta atividade, pois ao final do projeto , essas plaquinhas serão a moldura do painel.
( Palavras que minha turma listou: bater, enforcar, xingar, brigar, chutar, beliscar, esmurrar, humilhar, derrubar, colocar o pé para que o outro caia, dar rasteira, morder, empurrar, ser violento, espancar, jogar papel no colega, puxar cabelo, agredir, bater na cabeça do colega, apelidar, pisar no pé, cuspir, fofocar, riscar o outro, difamar por e-mail, difamar por sms, tirar foto, editar para postar na net)

 














Atividade 02
Escrever no caderno " Eu não devo praticar o Bullyng" e em seguida Desenhar no caderno uma placa de  "Está proibido" bem grande e listar todas as ações descritas no quadro dentro da placa.  Professor fique atento: às vezes a criança acaba colocando ali o que ela sofre na escola ou em casa.





















Aula 04
Atividade 01
O professor retoma o assunto sobre Bullying fazendo uma recapitulação do que já foi discutido e propõe à classe que expresse sua opinião dentro dos cartõezinhos, dizendo porque não pratica  Bullyng. (Guardar para colar no mural).
  

Aula 05
Atividade 01- Leitura e reflexão sobre o  texto  Bullyng Escolar: O Outro Lado da Escola

Bullyng Escolar: O Outro Lado da Escola
É comum encontrar entre os adultos uma quantidade considerável que tráz consigo as marcas dos traumas que adquiriram nos bancos escolares. São seqüelas que se evidenciam pelos prejuízos em aspectos essenciais à realização na vida, como dificuldades de lidar com perdas, relações afetivas, familiares e sociais, ou no desempenho profissional. Essas pessoas foram submetidas às diversas formas de maus-tratos psicológicos, verbais, físicos, morais, sexuais e materiais, através de zoações, apelidos pejorativos, difamações, ameaças, perseguições, exclusões. Brincadeiras próprias da idade? Não. Esses atos agressivos, intencionais e repetitivos, que ocorrem sem motivação evidente, em desigualdade de poder, caracterizam o bullying escolar.
O bullying tem sido ao longo do tempo, motivo de traumas e sofrimentos para muitos, sendo ignorado pela maioria das pessoas, por acreditar tratar-se de "brincadeiras próprias da idade" ou ser necessário ao amadurecimento do indivíduo, sem, contudo, considerar os danos causados aos envolvidos.
Os estudos sobre o bullying escolar tiveram início na Suécia, na década de 70 e na Noruega, na década de 80. Aos poucos, vem se intensificando nas escolas dos mais diversos países, sendo possível quantificá-lo em índices que variam de 5% a 35% de envolvimento. No Brasil, os estudos são recentes, motivo pelo qual a maioria dos brasileiros desconhece o tema, sua gravidade e abrangência. Pesquisas realizadas na região de São José do Rio Preto, interior paulista, (FANTE, 2000/03) e no município do Rio de Janeiro, (ABRAPIA, 2002), com o intuito de reconhecer a incidência bullying, revelaram que, em média, 45% dos estudantes de escolas públicas e privadas, estão envolvidos no fenômeno. Estudos desenvolvidos pelo Instituto SM para a Educação, em cinco países (Espanha, Argentina, México, Chile, Brasil), evidenciaram que o Brasil se tornou campeão em bullying.
Sem termo equivalente na língua portuguesa, que expresse sua abrangência e formas de ataques, o tema desperta crescente interesse e preocupação entre os pais e profissionais das áreas de educação, saúde e segurança pública, devido aos prejuízos emocionais causados e por seu poder propagador capaz de envolver crianças nos primeiros anos de escolaridade.
O comportamento bullying pode ser identificado em qualquer faixa etária e nível de escolaridade. Entre três e quatro anos, podemos perceber tanto o comportamento abusivo, manipulador, dominador, quanto o passivo, submisso e indefeso. Porém, a maior incidência está entre os alunos de 3ª a 8ª séries, período em que, progressivamente, os papéis dos protagonistas se definem com maior clareza.
Estudos demonstraram que a média de idade de maior incidência entre os agressores, situa-se na casa dos 13 a 14 anos, enquanto que as vítimas possuem em média, 11 anos. Fato que vem a comprovar que os papéis dos protagonistas e as formas de maus-tratos empregadas se intensificam, conforme aumenta o grau de escolaridade.
Entre os adolescentes, uma prática que se torna comum, a cada dia, são os ataques virtuais, denominado de cyberbullying. É caracterizado pelo uso de ferramentas das modernas tecnologias de comunicação e de informação, principalmente através de celulares e da internet. Fofocas, difamações, fotografias montadas e divulgadas em sites e no orkut, seguidas de comentários racistas e sexistas, e-mails ameaçadores, uma verdadeira rede de intrigas, que envolve alunos e professores.
Geralmente, os ataques são produzidos por um grupo de agressores, reduzindo as possibilidades de defesa das vítimas. As estratégias de ataques, normalmente, são ardilosas e sutis, expondo as vítimas ao medo, à humilhação e ao constrangimento público. Os agressores se valem de sua força física ou psicológica, além da sua popularidade para dominar, subjugar e colocar sob pressão, o "bode expiatório". Entretanto, torna-se evidente entre eles a insegurança, a necessidade de chamar a atenção para si, de pertencer a um grupo, de dominar, associado à inabilidade de expressar seus sentimentos e emoções. Por isso, a escolha das vítimas, privilegia aquelas que não dispõe de habilidades de defesa.
Com o tempo, as vítimas se sentem solitárias, incompreendidas e excluídas de um contexto que prima pela inclusão de todos. As conseqüências do bullying incidem no processo de socialização e de aprendizagem, bem como na saúde física e emocional, especialmente das vítimas, que se isolam dos demais, carregando consigo uma série de sentimentos negativos que comprometem a estruturação da personalidade e da auto-estima, além da incerteza de estarem em um ambiente educativo seguro, onde possam se desenvolver plenamente. Em casos extremos, algumas vítimas executam seus planos de vingança, seguidos de suicídio.
Nos Estados Unidos, pelo menos 37 tiroteios ocorridos em escolas foram atribuídos ao bullying. O massacre de Columbine é um exemplo de como a vítima pode se transformar em agressor. Na pacata cidade de Taiuva (SP), após anos de ridicularizações, um jovem entra armado na escola, atira contra 50 estudantes e dá cabo à existência. Em Remanso (BA), um adolescente mata seu agressor principal, um garoto de 13 anos e a secretária do curso de informática.. Em Petrolina (PE), uma adolescente e seu colega asfixiam uma garota de 13 anos, por ser alvo de apelidos pejorativos.
O bullying é um fenômeno psicossocial expansivo, por isso considerado epidêmico, comprometedor do pleno desenvolvimento do indivíduo, por suas conseqüências psicológicas, emocionais, sociais e cognitivas, que se estendem para além do período acadêmico.
Dentre as causas desse tipo de comportamento podemos citar os modelos educativos introjetados na primeira infância. O tipo de experiência vivenciada pela criança no ambiente familiar, poderá predispô-la a tornar-se uma protagonista do fenômeno. Para o seu pleno desenvolvimento a criança necessita sentir-se amada, valorizada, aceita, incentivada à auto-expressão e ao diálogo, principalmente na adolescência, porém a noção de limites precisa ser estabelecida com firmeza e com coerência.
No entanto, quando no ambiente familiar há o predomínio de superproteção, modelo que inibe o desenvolvimento da capacidade de autonomia, de tomada de decisões, de exploração do ambiente e de defesa; ou o perfeccionismo, com alto nível de exigências e cobranças, mais do que elogios; ou a ambivalência, onde constantemente ocorre oscilação do humor, gerando muita insegurança pessoal; ou autoritarismo, com práticas educativas que se valem de agressões verbais, morais, psicológicas ou físicas; esses ingredientes psíquicos isolados ou somados, favorecem o envolvimento da criança em comportamentos bullying logo no início de sua experiência de socialização educacional.
São cinco os papéis que caracterizam este fenômeno: vítimas típicas, vítimas provocadoras, vítimas agressoras, agressores e espectadores. Algumas constatações entre os envolvidos: é comum que quem sofreu alguma das formas de ataque reproduza os maus-tratos sofridos; os tipos de conseqüências são abrangentes, de acordo com as características de cada indivíduo e das características psicodinâmicas de sua família; as vítimas encontram dificuldade de buscar ajuda e quando buscam sentem dificuldade de serem compreendidas, além do temor em relação à resposta dos pais, ou de que a sua denúncia agrave ainda mais o seu problema.
Dessa forma, estamos diante de um grande desafio. As dimensões identificadas do problema, nos remetem a olharmos para a lacuna que se evidencia na convivência familiar e escolar, pois é notório entre os alunos a carência afetiva e a ausência de modelos humanistas que lhes sirvam de referencial. Por isso, é necessário que as instituições de ensino invistam em conscientizar seus profissionais, pais e alunos sobre a relevância desse tema e desenvolvam estratégias preventivas, em parcerias com os diversos segmentos sociais, visando educar para a paz. E que a prática da solidariedade, cooperação, tolerância, empatia, respeito às diferenças e compaixão caracterizem a atitude de amor das instituições de ensino e da família, em busca da construção da paz.
Cleo Fante. Graduada em História e Pedagogia. Pós-graduada em Didática do Ensino Superior. Doutoranda em Ciências da Educação. Pesquisadora pioneira no Brasil, sobre o Bullying Escolar. Autora do livro Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para paz (Verus Editora). Autora do programa antibullying "Educar para a Paz". Diretora Geral do Cemeobes (Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar). Conferencista.
Texto retirado do site http://www.udemo.org.br/RevistaPP_04_06Bullyng.htm

Aula 06
Atividades Escritas
Ordem alfabética e produção de frases.

Aula 07 (trabalhar durante a semana)

Atividade 01
Livro : Não me chame de gorducha, Editora Ática, Autora Bárbara Philips 
 Leitura pelo professor e reconto escrito pelos alunos.
Atividade 02
No outro dia recordar a história com a classe  e voltar a questão das zoações e dos apelidos e questionar se eles recebessem um apelido que não gostassem o que fariam? Conscientizá-los que estas questões tem que ser falada com seus pais, para que estes converssem com a direção e professor. Nunca tentar resolver com violência.








Aula 08- (trabalhar durante a semana)
Atividade 01
Livro: Lúcia já vou indo, Editora Ática, Autora Maria Heloísa Penteado.

Atividade 01 - Leitura pelo professor e reconto oral
Atividade 02 - Registro do recontro coletivamente
 

















 









Aula  09- (trabalhar durante a semana)
Livro: Samira debocha do novo aluno, Editora Ática, Autora Christian Lamblin

Atividade 01  - Leitura do livro e discussão oral do conteúdo
Atividade 02 - Ilustração em grupo, utilizando papel pardo.



















Aula 10
Atividade 01 - Leitura do livro Rufina- 
Atividade 02 - Contar e dramatizar a história com a classe.




























Aula 11
Atividade 01- Montagem do Painel – Esboço

















Aula 12
Atividade 01 - Avaliação do Projeto com as crianças
O professor disponibiliza uma folha de papel pardo onde todos vão poder escrever uma palavra ou frase que simbolize sua avaliação quanto ao projeto desenvolvido e deixar sua assinatura.

Bom trabalho!
Se você foi ainda mais criativa e fez adaptações neste projeto, envie-me para que eu faça a inclusão de suas idéias. E se for utilizar em sua escola, não se esqueça de mencionar o este blog: queroensinar.blogspot.com